Queridos ouvintes,
Cheguei hoje de Porto Alegre. Encarar uma viagem de quase 600 quilômetros em um ônibus que para a toda hora. Um entra e e sai de gente. Um verdadeiro ônibus PINGA-PINGA.
E os que têm a necessidade de ir para a Capital para tratamento de saúde especializado ou por compromissos de trabalho, que acredito seja a maioria, encara esta viagem sem prazer, se preparando para a noite mal dormida e o corpo exausto na chegada.
E esta situação se arrasta. Mudanças são prometidas. Mas fica por isso mesmo.
Por quê?
Porque não há vontade política nem poder político de nossas lideranças para exigir a mudança.
Ainda bem que a volta à terra compensa.
Sempre é bom voltar a Quarai.
Uma Quarai que está sofrendo com o rigor do clima. Uma Quarai que tem visto sangas e o Rio Quarai crescer de forma inesperada e constante.
Uma Quarai, que tem um povo paciente.
As vezes até demais.
Uma Quarai, que confia na solidariedade dos amigos, parentes, anônimos, que na hora da tragédia estendem a mão para ajudar.
Ser solidário é tão importante como saber aceitar o gesto amigo quando se precisa.
É na hora da dor e da perda que se descobre o valor de uma mão amiga. Seja ela qual for.
E eu tenho certeza meus amigos. Que os que passamos nesta vida por necessidade de afago, de compreensão, de ajuda, de um ombro amigo ou um empréstimo material ou afetivo, sabemos bem o que significa ter alguém solidário ao nosso lado na hora da necessidade.
Por isso, hoje, ao chegar a Quarai novamente enfrentando mais uma enchente que mantém apreensivas tantas famílias, eu pensei nessas dezenas de pessoas que emprestam sua solidariedade e seu trabalho generoso para ajudar quem precisa.
Muitas conhecidas, outras tantas anônimas.
Mas quem recebe jamais esquece o gesto. Eu, como tantos de vocês, que nesta vida enfrentamos em algum momento dificuldades sabemos que não se esquece uma mão amiga estendida.
Por isso, a eles, aos amigos anônimos ou não que nesta vida nos ajudaram com sua solidariedade efetiva e afetiva na hora da dor vai o meu pensamento agradecido.
Como sei é também o sentimento dos que hoje estão passando pela dor de ter suas casas danificadas pelo rigor das águas ou dos ventos.
Uma dor compartilhada nos faz mais fortes e muitas vezes faz milagres!
Hoje é esta a minha opinião.
Boa Tarde!
Programa: Opinião de Myrna Proença
Rádio Salamanca FM/Quaraí
Sexta-feira dia 20 de novembro de 2009.
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