Queridos ouvintes,
Tem momentos em nossa vida profissional em que gostaríamos de romper com as regras do protocolo e poder agir como manda o coração e principalmente a razão. Ontem, sentada ao lado da Governadora do Estado Yeda Crusius, passei por um desses momentos emblemáticos na minha profissão de jornalista.
A agenda que me levou ao encontro com a Governadora ontem à tarde, no dia em que estava sendo votada a possibilidade de seu impeachment era por demais nobre: era a entrega do Relatório Social da Radiodifusão Gaúcha que mostra o investimento social que as emissoras de Rádio e Televisão do Estado associadas à Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão-AGERT fazem em beneficio das comunidades onde atuam.
Como coordenadora deste projeto pioneiro no país desde 2004, que tem a participação ativa de 198 emissoras de Rádio e Televisão que investiram 61 milhões de reais liderando ou apoiando com mídia doada ações de Responsabilidade Social no Estado, eu gostaria de ter quebrado as regras do protocolo e fazer à Governadora todas aquelas perguntas que estão na cabeça da maioria dos gaúchos e gaúchas.
- Na gestão dos assuntos do Estado, para a qual foi eleita, os princípios da boa ética publica foram preservados?
- A separação indispensável no trato do dinheiro público entre o privado e o público foi feita com o rigor que a moral pública exige?
- Até que ponto a Governadora estava a par das irregularidades agora apontadas pelos demais poderes do Estado: Poder Judiciário e Poder Legislativo?
Estas e tantas outras perguntas que me fazia internamente me deixaram em estado de perplexidade ontem ao ver a governadora, em aparente tranqüilidade, criticar uma vez mais, a sanha e a injustiça dos que levantam suspeitas à probidade de sua gestão.
Estava eu como jornalista, em uma situação privilegiada, frente a frente com a governadora, já que os demais colegas de imprensa ficaram ontem impedidos de entrevista-la.
Mas eu não quebrei as regras. Porque, fui recebida junto com três colegas de Diretoria da AGERT pela Governadora para uma agenda pré-estabelecida: a entrega do Relatório Social da entidade e não como a repórter que gostaria de ter sido.
Sim, meus amigos têm momentos na vida que ficamos em uma encruzilhada.
E as perguntas que não são feitas perturbam mais que as possíveis respostas.
É aquela dúvida existencial que a literatura universal há mais de 400 anos relembra: To be or not to be
O “ser ou não ser” do personagem Hamlet que tanto me intrigou na adolescência e que ontem me pegou desprevenida e fez sentir impotente na minha maturidade.
Mais ainda uma frase da Governadora dita na despedida que ainda tento decifrar: não consigo ver nada de positivo nesta experiência que estou passando, mas se pode ajudar no futuro que assim seja.
Sai da audiência amargurada. Como mulher. Como sua eleitora.
E o pior sem entender neste desvairado cenário político quem é a vítima e quem é o algoz.
Hoje é esta a minha opinião!
Bom fim de semana.
Programa: Opinião de Myrna Proença
Rádio Salamanca FM/Quarai
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
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